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Digitalização das salas de cinema preocupa Argentina


Fonte: Alejandra Portela

Tradução do resumo da apresentação feita por Ariel Direse, Coordenador do Programa de Digitalização de Salas de Cinemas do Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA) da Argentina, no Conselho Nacional de Cinematografia do Equador, em Fevereiro de 2013.

Ariel Direse em sua apresentação no encontro "Realidad y Futuro del Cine Ecuatoriano" promovido pelo Consejo Nacional de Cinematografía del Ecuador (CNCine).

Ariel Direse em sua apresentação.

O título da apresentação de Direse foi: “La Digitalización Cinematográfica en Latinoamérica: realidades y desafíos para la soberanía tecnológica regional.” e pode ser assistida aqui:

Nenhuma tecnologia, segundo Direse, resistiu tanto tempo quanto a película. Ele apontou ainda que na Argentina no ano anterior, houve 46 milhões de espectadores no ano passado, o que gerou 195 milhões de dólares. Na Argentina foram vendidas 46 milhões de ingressos de cinema, as salas, portanto, levantaram cerca de 200 milhões. No entanto, quatro empresas norte-americanas têm 3/4 dessa arrecadação. Toda a construção da indústria cinematográfica norte-americana foi feita tendo o sistema de película como base, disse ele. “Um dos principais negócios de Hollywood era copiar seus filmes, às vezes ganhando mais para copiar do que pela entrada.” A película durou 100 anos, porque foi um excelente negócio para fazer cópias 35 milímetros, explicou, o que permitiu controlar o mercado facilmente. De acordo Direse formatos digitais emergentes parecem democratizar o cinema de 35 milímetros. No entanto, isto não tem acontecido totalmente.

“Creio que o formato físico tende a desaparecer. Na Argentina, as vendas de DVD estão em declínio “, disse ele. Direse  explicou ainda que a Digital Cinema Initiatives (DCI) é um consórcio da Sony, Pixar, Warner e outras grandes empresas (na realidade uma joint venture formada por Disney, Fox, Paramount, Sony, Universal e a Warner). Essas empresas construíram um formato proprietário digital e estão tentando padronizar este formato de circulação em todo o mundo. O problema, diz Direse, é que certificar um equipamento DCI custa cerca 80.000 dólares. Esclareceu ainda que os organismos de certificação de tecnologias são outros, o que significa dizer que o padrão DCI não é uma norma internacional.

Segundo Direse, a maioria das empresas fabricantes de equipamentos DCI são empresas norte-americanas. Na América Latina, segundo ele, existe um mercado muito grande, o que representa um alto custo do frete e transporte. O problema é que a América Latina não foi representada nos processo de imposição/definição das novas tecnologias decmercado que alteram as tecnologias das salas. Para Direse estão tentando impor o formato DCI no mercado para as mesmas empresas poderem manter o controle sobre ele. Direse explicou: “uma certificação Dolby custa cerca de 50 mil dólares. A média para digitalizar uma sala é cerca de 500 mil dólares. Na região temos aproximadamente 70% de salas a serem digitalizadas.

Neste contexto surgem os “integradores”, que disponibilizam equipamentos digitais, mas exigem em contrato exclusividade de programação, apesar das cotas de tela. Nos países onde não há cotas de telas 80% do que é exibido são conteúdos norte-americanos (estadunidenses). Na Argentina, segundo ele, se produzem cerca de 150 filmes por ano. ”

Direse disse: “a distribuição no futuro será eletrônica, via fibra óptica ou por satélite.”

O INCAA continuou Direse, vê na digitalização um grande desafio. “Até o final de 2014 se espera ter todas as salas digitalizadas.” De acordo Direse o formato digital remove o conceito de “cópia” que existe no suporte 35mm. O INCAA explicou, tem um programa específico de digitalização dos cinema. O instituto também estabeleceu um acordo com um banco para os exibidores não dependerem da figura do integrador, uma vez que este responde à interesses estrangeiros.

A digitalização, de acordo Direse, é uma necessidade que deve ser cumprida. Para ele isto demanda a constituição de comissões técnicas e alianças estratégicas para discutir e exigir a soberania tecnológica em nossos países, dessa forma, diz ele, poderemos enfrentar conjuntamente  a digitalização. Como soberania tecnológica da Argentina ele também se referiu à possibilidade de construção de satélites, servidores, etc. Direse explicou ainda que os piratas não são as ruas, mas as transnacionais do vídeo “on demand” já que estas na Argentina vendem conteúdos sem pagar impostos. Cotas de tela na Argentina, por exemplo, protegem a produção do país, mas não a de outros países como o Equador ou o cinema europeu. Isto pode ser mudado, para que desse modo os países possam se apoiarem. Parte do processo de digitalização, segundo ele, é garantir que os expositores não assinem qualquer acordo para digitalizar suas salas.

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